Quando volto para casa, é comum que eu passe em frente a uma loja de aquários que fica aqui perto. Ali, num espaço aparentemente grande demais, estão expostas diversas caixas de vidro, com ou sem peixes, algumas com pedrinhas e outras com bombas de ar na lateral. Não me demoro mais do que um segundo [...]
Às onze e quinze eu estava dentro de um grande chocalho: o ônibus corria pela noite e trepidava demais; as janelas, a grade de ventilação, certas peças do veículo, algumas malas postas no bagageiro suspenso sobre as poltronas e este próprio bagageiro, tudo tremia num som alto, caótico e seco.
A luz, fraca, era apenas um [...]
Era professora de primário, gordinha, cabelos claros e longos, alta demais. O filho há poucas semanas de nascer já chutava violentamente sua barriga e o pai, ausente, só fazia reclamar. O namoro acabou assim que descobriram a gravidez: Elías sumiu e ninguém na cidade soube dizer por onde andava, até que reapareceu alguns dias depois [...]
Observo o céu noturno e contemplo-o em sua densa vermelhidão. Vejo no nublado rubro o reflexo incandescente da cidade, o furor apático e caótico da modernidade. Vejo-o, pois, neste tom peculiar e incomum, em uma coloração inverossímil e profundamente tediosa. Detesto-o.
Encontravam-se duas vezes por semana naquele quartinho quente e úmido do segundo andar. Ela tinha as chaves, era o imóvel de um tio há tanto tempo no Uruguai que provavelmente nem se lembrava mais da pequena propriedade. Havia ali apenas uma cama formada por dois colchões de casal empilhados, um armário vazio e empoeirado e [...]